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25 de Setembro de 2017

Para-além da diferença

Cícero Favaretto, Advogado
Publicado por Cícero Favaretto
ano passado

Os jogos paraolímpicos sofrem tanto quanto seus atletas. A cobertura da imprensa cai para menos da metade. Os patrocinadores, investem pouco ou quase nada. A grande maioria dos ingressos não foi vendida. A discriminação já começa com o próprio calendário: qual o motivo de separar um período para as Olímpiadas e outro para as Paraolímpiadas? Não são todos atletas? Não somos todos Olímpicos?

Qual o motivo de a organização do evento não intercalar, nos mesmos jogos, competições olímpicas e paraolímpicas? Seria fascinante assistir o campeão Michael Phelps ganhar mais uma medalha e deixar a piscina para um grupo de atletas paraolímpicos na sequência.

Os jogos Paraolímpicos nos incomodam porque mostram a realidade da natureza humana: somos racistas, sexistas, xenófobos e discriminamos o diferente. Temos dificuldade de conviver com o sofrimento e a carga emocional que ele traz. Assistir um atleta amputado superar os limites da dor, confronta o comodismo daqueles que tem um corpo inteiro. Já não somos Esparta, mas há um longo caminho pela frente.

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